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São Paulo - Domingo, 5 de Setembro de 2010
José Roberto Andreasi

Fundador e diretor da Fremplast, empresa brasileira de produtos serigráficos

Nascido em Presidente Prudente (SP), iniciou sua vida profissional ali mesmo na região, ainda criança. A entrada no mundo da serigrafia pode ser creditada a seu pai, que, para tentar “corrigir” o filho que não se dedicava com muito afinco aos estudos, pediu a um amigo, gerente de uma estamparia, que empregasse José Roberto como carregador de tintas.
Logo, entretanto, o espírito empreendedor de Andreasi manifestou-se, e ele começou, em parceria com outros colegas, a utilizar técnicas de serigrafia para gravar propagandas nos vidros de automóveis. Como a região contava com um grande número de feiras ligadas ao setor agrícola, não faltou serviço para o jovem, que em seguida trabalhou por dois anos na indústria gráfica, também no interior de São Paulo.
A família também influenciou José Roberto na escolha de sua formação acadêmica. “Um tio meu era químico, e graças a ele apaixonei-me pela profissão”, comenta. Decisão tomada, o empresário mudou-se para São Paulo para inscrever-se no curso de técnico em química da Fundação Oswaldo Cruz, onde obteve seu diploma e confirmou seu gosto por esta ciência: chegou a cursar o primeiro ano do curso superior de Química, interrompendo a faculdade para dedicar-se à família recém-formada. José Roberto é casado com Dona Tânia, com quem tem três filhos: Rodrigo, Leandro e Ana Carolina.
Em 1967, quando chegou a São Paulo, Andreasi foi trabalhar na Velupress, empresa que ele considera a maior faculdade de indústria têxtil existente na época. “Trabalhava no setor de laboratório de tinturaria e acabamento têxtil; depois passei a cuidar do setor de alvejamento e retingimento. Em seguida, a empresa montou quatro mesas de estampar pano corrido onde iniciei profissionalmente o meu trabalho em estamparia têxtil”, lembra. “A Velupress comprou a terceira máquina Stork que chegou no Brasil, e fui o primeiro a operá-la, e tive a oportunidade de aprender muito sobre estamparia, gravação de quadros, cilindros e produtos”.
José Roberto ressalta que a Velupress foi a primeira empresa na América do Sul a trabalhar com estampas sobre papel com corantes dispersos para sublimação.
O empresário descreve ainda inovações das quais teve participação fundamental. “Na Velupress, fizemos o primeiro mix, que era chamado de matização de cores; isto em máquinas de cilindros”, ressalta, detalhando o processo de gravação de quadros desenvolvido por ele para diminuir custos: após uma gravação inicial com albumina de ovo, em quadros pequenos de cerca de 50 x 50 cm, o trabalho era submetido ao cliente. Se aprovado, era feita a gravação definitiva em cilindros. “Os produtos eram caros e limitados, pois dependíamos de produtos importados”, comenta. Para driblar essas limitações, numa segunda etapa improvisava, usando, por exemplo, pó de gelatina para revelar quadros. “Depois de muito tempo é que aprendemos e passamos a usar PVA”.
Depois de seis anos, José Roberto ingressou na Salotex, que acabara de adquirir uma máquina rotativa e estava à procura de um profissional com formação química. “Tenho muita gratidão por essa empresa, me ensinou muita coisa, apesar de ter trabalhado apenas por cerca de um ano”, lembra. Logo após, foi convidado para exercer a função de gerente técnico da antiga estamparia da empresa Paramont, de nome Estamparia Natasha, “Aprendi muito sobre anilinas, corantes, vaporização, além das estampas com pigmentos e lavanderia com peças vaporizadas estampadas com corantes reativos, corrosão ou rongeabilidade com corantes Naftol”.
Recebeu proposta para trabalhar na Karibê, onde permaneceu cerca de quatro anos. “Em minha opinião, ninguém consegue montar uma equipe como a da Karibê na época, tanto em termos de profissionais quanto de equipamentos”, defende. “Tínhamos à nossa disposição balanças analíticas com capacidade para 100 kg, até hoje um exagero. E todas as solicitações de equipamentos eram providenciadas pela diretoria”, conta. “A primeira mesa de amostras de cilindros com 50 metros do Brasil foi adquirida pela Karibê, que chegou a ter 5.500 empregados. Lá foi desenvolvida a primeira emulsão direta para quadros, uma emulsão que dispensava o uso do verniz para suportar grandes produções”.
“Logo após, fui convidado pela BASF, que ao lado da Bayer e Hochest, eram as maiores empresas do mundo fabricantes de produtos têxteis, no Brasil com muita ênfase na área de estamparia. Fui o primeiro técnico brasileiro contratado pela BASF, onde conheci outro lado de nosso mercado: tecnologia de ponta e conhecimentos técnicos e químicos extremamente aprofundados”.
Na BASF, conheceu o mercado brasileiro de serigrafia: era sua responsabilidade técnica os clientes de MG, SP, PE, RN, CE e dividia o atendimento do Rio de Janeiro. “Criei amizades com o pessoal de fábrica, que me ajudou muito quando montei a Fremplast”, lembra. “Conheci as dificuldades da fotoestampa e gravações; nessa época, começava a se desenvolver o mercado de estamparias de máquinas no Brasil. Eu ajudava e aumentava o meu aprendizado”.
Em 1976, José Roberto idealizou a Fremplast para atender, sobretudo, os clientes menores. Empresas como Saturno e Acrilex já estavam no mercado; resolveu então demitir-se da BASF para se dedicar à sua empresa, em 1978. Seu pedido não foi aceito, e por cerca de um ano acumulou as duas funções, com total conhecimento da BASF. Ao sair definitivamente, manteve-se como distribuidor, algo raro da época.
O início da Fremplast foi marcado pelo nascimento da primeira emulsão direta à base de água para o mercado têxtil, além de uma linha completa de fotoestampa, desenvolvida quando o empresário ainda estava na Karibê em parceria com outros profissionais. “Era comum trazer para o Brasil emulsões alemãs para envernizamento, e ocorreram algumas tentativas de trazer emulsão italiana, mas não foram bem sucedidas porque não ofereciam resistência aos roletes da máquina Zimmer, que tinham muita pressão”, explica.
José Roberto contou com o apoio dos pequenos empresários que atendia através da BASF, mas encontrou dificuldades por parte de fornecedores. “Muitos resistiam em me vender matéria-prima, e quando conseguia, era só com pagamento à vista”. Essa resistência diminuiu com o crescimento da produção e a Fremplast se tornou - senão a maior - uma das maiores consumidoras de resinas e pigmentos do Brasil. O segmento de cura ao ar se desenvolvia e tornava-se viável, solucionando problemas para a falta de equipamentos.
O empresário destaca algumas particularidades do mercado brasileiro: “nos espelhávamos no norte-americano, baseado no plastisol, apesar de o brasileiro, de um modo geral, preferir o toque zero, possível graças à tecnologia européia”.
Com o tempo, a Fremplast deixou de distribuir BASF, apesar de continuar utilizando sua matéria-prima.”Começamos a importar pigmentos e produtos para desenvolver linhas próprias”, lembra. “Importávamos puff, foil, perolizado que vimos na Europa”, afirma. “Chegamos a comercializar em grande escala”.
José Roberto Andreasi destaca o rápido crescimento da estamparia serigráfica nos primeiros 15 anos. “Quando a Fremplast começou, existiam de 20 a 30 estamparias”, lembra. “A Fremplast ficou muito conhecida na área industrial, pois tínhamos fixadores, espessantes com ligantes, produtos até então desconhecidos do mercado serigráfico, e comecei a ministrar palestras técnicas, ensinando, entre outras coisas, como cada empresa deveria produzir alguns dos seus produtos”.
O empresário faz questão de afirmar que, com a mudança de conceitos na qual a Fremplast teve participação essencial, “os clientes pararam de comprar latinhas coloridas, pois lançamos produtos com tecnologia e o primeiro pote plástico no Brasil; algo limpo e já ecologicamente correto”. Isso foi há 33 anos, e José Roberto atribui o crescimento da empresa ao apreço pela qualidade, do trabalho em equipe e do respeito pelos clientes. Na década de 1990, investiu na produção de base solvente, passando em seguida para a produção de plastisol, produto já em uso em grande escala por empresas de Santa Catarina. “Hoje, acredito que ele continuará sendo usado, mas os produtos base de água apresentam uma ascensão que não será mais revertida”, diz. “E é neste segmento no qual a Fremplast possui o maior conhecimento técnico”.
Sempre disposto a inovar, o empresário focou no mercado UV, segmento do Grupo FS Guaru, do qual a Fremplast tornou-se marca. Apostou em equipamentos e tintas para impressão digital, como a Chromajet, chegando a mais de 2.500 produtos, conquistando um lugar, segundo José Roberto, entre as 6 maiores empresas do mundo de produtos para serigrafia. “Fomos a primeira empresa brasileira a trazer sublimação para a área de serigrafia e a desenvolver perolados, produtos à base de água, puffs e mix, e temos orgulho de ser a primeira empresa no mundo a fabricar resinas bloqueadoras, utilizadas em estamparia ou em transfer sobre tecido de polyester tinto, evitando, com o uso dos nossos produtos, a ressublimação dos corantes sobre as estampas.”
A nova nomenclatura da empresa marca também a passagem da direção da empresa aos três filhos de José Roberto, que assumem, num futuro próximo, o compromisso de dar continuidade à empresa produtora de 90% das tintas à base d’água que estampam as camisas oficiais de futebol de times nacionais e internacionais. Sem dúvida, um feito notável para o garoto que entrou no mundo da serigrafia porque não estava muito interessado em estudar.


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