Essas dificuldades caracterizam-se por vários motivos. Alguns deles são:
▪ Acreditar que não tem tempo para realizar esses controles;
▪ Considerar que é muito trabalhoso, difícil e complicado apurar todos os custos dos serviços oferecidos;
▪ Desconhecer como calcular os custos de seus serviços.
Além das razões acima, criou-se o estigma de que, se levarmos ao pé da letra e aplicarmos todos os custos ao preço final do serviço, ficaremos fora do mercado. Esta situação, além de muito comum, é muito preocupante, pois qualquer atividade realizada sem que seus proprietários tenham domínio sobre os custos do negócio, está sujeita a situações muito desfavoráveis, que podem até levar ao fechamento da empresa.
Fazendo uma analogia: se atravessássemos a rua todos os dias sem olhar para os lados, poderíamos fazer isto por anos a fio e não encontrar problemas, mas uma hora ou outra essa postura será fatal.
Ao contrário do que muitos empresários acreditam a maior parte de seus gastos não estão nos produtos de consumo (tintas, emulsões, rodos, etc.) e sim no gasto com mão-de-obra. Este valor do custo da mão-de-obra sempre dependerá do acompanhamento dos gastos com funcionários, do total das horas disponíveis e o tempo realmente gasto com a realização do serviço.
Em um estudo realizado recentemente em uma estamparia do interior do Estado de São Paulo foi apurado que o custo fixo representava 70% dos gastos, dos quais mais de 62% era empregado em salários, enquanto os produtos de consumo ficaram com 12% do valor investido. Portanto investir em produtos e equipamentos que aumentam a produtividade pode ser um bom negócio para a estamparia.
Por exemplo, em uma estamparia com mesa corrida e impressão manual, tintas de alta cobertura e equipamentos de secagem automática (flash-cure automático) podem reduzir o tempo de impressão pela metade, o que significará melhores desempenhos de hora/homem e hora/máquina. Desta forma o valor investido, que a primeira vista parecia alto pelo custo de aquisição, se mostrou altamente rentável ao analisarmos o custo/benefício. Lembre-se: Quanto mais eficiente for o aproveitamento das horas do pessoal que executa os serviços, melhores serão os resultados obtidos pela sua empresa.
Além dos custos citados, devemos levar em conta o pró-labore (remuneração pelo trabalho dos sócios na empresa). Este pagamento é uma despesa fixa e seu valor precisa ser definido em função da possibilidade da empresa, não em função das necessidades pessoais dos donos. Muitos empresários literalmente saqueiam sua empresa, acreditam que o dinheiro que ficou no caixa é lucro, misturam gastos pessoais com os da empresa e raramente tem uma noção real do desempenho de sua empresa.
Além disto, acrescentam-se também os impostos (saiba mais sobre os impostos conversando com seu contador) e os custos de qualidade. Os custos de qualidade podem ser divididos em ambiental e de qualidade propriamente dita.
Embora seja novo no cenário contábil, o custo ambiental deve começar a ser pensado pelos empresários, devido sua grande exposição nos últimos anos. Já os custos de qualidade são velhos conhecidos nossos. O lema “A Qualidade faz a Diferença!” já está ultrapassado e o mais adequado nos dias de hoje é (segundo Alfredo Rocha): “A qualidade faz a SOBREVIVÊNCIA!” Segundo Prof. Gerisval Alves Pessoa, os custos com a qualidade representam cerca de 3% a 4% das receitas enquanto os custos da não qualidade ficam em cerca de 20 a 25% das receitas. Portanto a máxima de fazer certo desde a primeira vez é fundamental nas empresas que desejam ser competitivas.
Conhecendo e tendo domínio sobre todos os custos da empresa, poderemos identificar e saber quanto custam os serviços oferecidos, além de tomar as decisões mais adequadas no enfrentamento da concorrência e conhecer os resultados reais obtidos com as vendas realizadas.
Moacir W. Ferreira – Formado em Gestão Empresarial com Ênfase em Meio Ambiente. Diretor da Arpotex Cursos, ministra treinamentos na área serigráfica desde 2006. Membro do Conselho Nacional de Defesa Ambiental (CNDA) desde 2000, onde ocupa cargo no conselho executivo. Representante Comercial da Gênesis Tintas para o interior do estado de São Paulo
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